A aplicação da “racionalidade absoluta” à fábrica são deixou muito para os industriais americanos inebriados com o sucesso, confiadamente buscando cada vez mais. Nessa busca foram encorajados pela filosofia econômica predominantemente na época – o Laissez-faire, a ideia de que o governo não deveria interferir nos negócios. Acreditava-se amplamente que o jogo livre do mercado entre oferta e demanda resultaria no melhor uso dos recursos e promoveria o contínuo crescimento econômico. A Riqueza era considerada um sinal de mérito e de trabalho duro; a pobreza, um sinal de perseguição e desperdício.
Entretanto, a busca precipitada da riqueza por parte dos industriais, levava-os com frequência a explorar seus competidores, seus empregados e seus clientes. Durante a era dominada por Theodore Roosevelt e pelos chamados Republicanos Progressistas (1909-1912), a imprensa, particularmente os jornalistas que trabalhavam para as revistas populares, começaram analisar os abusos do poder empresarial descontrolado, chamados por Roosevelt de múckrakers, esses jornalistas detalhavam corrupção de “capitães da indústria” como John D. Rockfeller, Andrew Carnegie e Andrew Mellon. Historiadores que examinaram os documentos deixados pelos múckrakers apelidaram os industriais de “Robber Barons”.
A ira pública visava especialmente cartéis e monopólios que agiram para limitar a competição e manipular preços. O clássico livro de Isa Tarbel, History of Stanford Oil, detalhando os 4 anos que ela passou investigando as práticas monopolistas daquele conglomerado em rápido crescimento, foi publicado em 1904. Entre outras coisas, Tarbel descobriu que a Stanford Oil, comprara informações ilícitas sobre competidores e que rotineiramente extorquia descontos e comissões indevida de empresas menores que dependiam dela.
Em 1905, uma investigação nas indústrias de seguro e gás de Nova Iorque, liderada pelo político Charles Evans Hughes, descobriu práticas corporativas estarrecedoras como subornos e grandes contribuições para companhas políticas. E, em 1906, David Graham Phillips publicou “A Traição do Senado”, uma série na revista Comospolitan, que levou muitas pessoas a reconsiderar se o laissez-faire era uma coisa certa. Se a competição intensa produzia imoralidade de que tipo, e as empresas monopolísticas produziam imoralidade de outro tipo, talvez então o governo federal tivesse o dever de interferir no mercado para proteger os que tinham voz, e para diminuir os excessos de um mercado livre sem freios.
Essa convicção cresceu com a publicação em 1906, do famoso Romance A Selva de Upton Sinclair, uma exposição criada das práticas comum na indústria de carne. Sinclair pretendia que seu livro fosse um forte apelo a revolução socialista: entretanto, como ele próprio observou, o livro “era dirigido aos corações do povo americano e atingia em vez disso, seus estômagos”. A passagem reproduzida a seguir é uma amostra da história de imundície e fraudes que horrorizou a nação:
Nunca se prestou a menor atenção ao que era usado para fabricar salsichas; da Europa voltavam salsichas velhas que haviam sido rejeitadas, e que estavam mofadas e esbranquiçadas depois da longa viagem. Acrescentavam a elas doses de bórax e glicerina e jogavam-nas nos misturadores, onde eram reprocessadas para consumo no país. Usavam pedaços de carne que tinham caído no chão, na terra e na serragem, onde os trabalhadores haviam caminhado e cuspido incontáveis milhões de germes de tuberculose. Usavam carne guardada em grandes pilhas, dentro de cômodos fechados: a água pingava das goteiras dentro de cômodos fechados, e milhares de ratos corriam sobre ela. Dentro desses depósitos era escuro demais para se enxergar direito mas era possível se passar a mão sobre essas pilhas de carne e tirar punhados de excrementos secos de rato. Esses ratos davam prejuízo, e os trabalhadores colocavam pão envenenado para eles. Eles morriam e em seguida ratos, pão e carne iam juntos para os moedores.
,/div>Em outra passagem, Sinclair relatava como um trabalhador que, tendo escorregado e caído no nível mais baixo da fábrica, terminou sendo enviado, para um público que não suspeitava de nada, como “Pura Gordura de Vaca Durham’s!
Quando o Presidente Theodore Roosevelt nomeou uma comissão para investigar a narrativa horripilante de Sinclai, a comissão relatou que a história era essencialmente verídica e o Congresso imediatamente promulgou a Lei de Inspeção para a Carne, de 1906, seguida no mesmo ano pela Pure Food Act (Lei da Comida Pura).”
Fonte: Storner e Fresman (2012, p.26).

